Almancil o presente…

A Freguesia de Almancil, com os seus 10677 habitantes ( dados estatisticos do CAOP de 2013), está situada no litoral do concelho de Loulé.

A Freguesia é delimitada a nascente pelo concelho de Faro, a norte pela Freguesia de São Clemente e a poente pela Freguesia de Quarteira, de parceria com esta última, a Freguesia de Almancil ocupa a faixa costeira do Concelho numa extensão de treze quilómetros e largura média de cinco quilómetros, sendo delineada pelo Atlântico e pela estrada nacional 125.

O clima é de influência mediterrânica, caracterizado por invernos amenos, de reduzida precipitação pluviométrica, e verões quentes, secos e prolongados vocacionando a Freguesia, fortemente marcada pela presença do mar, para actividades turísticas ao longo do ano.

Os solos abragem zonas húmidas, salgadas ou sapais, areias e arenitos, na sua origem ocupados por pinhal e aluviões férteis que se desenvolvem praticamente ao nível do mar.

A vegetação é densa e dominada pela palmeira anã, alfarrobeira, zambujeiro, amendoeira, figueira e pinheiro manso.

Património Natural

A Freguesia de Almancil possui um riquíssimo património ecológico que deve ser defendido e preservado.

Por toda a Freguesia não é difícil ao observador conseguir encontrar recantos aprazíveis de abundante vegetação e de considerável interesse faunístico. Destaque-se a este nível a Reserva Natural do Ludo, parte integrante do Parque Natural do Ludo, parte integrante do Parque Natural da Ria Formosa, sítio de elevado valor botânico e habitat natural de raras espécies ornitológicas.

A faixa litoral ocupada pelas praias do Ancão, Quinta do lago, Garrão e Vale do Lobo permite belíssimos e já consagrados percursos pedestres, onde se pode desfrutar também da observação da enumera avifauna que nos lagos artificiais destes empreendimentos turísticos encontram propício local de nidificação, refira-se nomeadamente o galeirão-comum, a galinha-d-água o pato real a garça pequena, entre muitos outros.

Na proximidade destas zonas costeiras sucedem-se extensas áreas de pinheiros e matas onde se podem contemplar outros tipos diversos de fauna e flora.

Como mera curiosidade refira-se que já em 1758 as Memórias Paroquias respeitantes à àrea geográfica que compreende a actual Freguesia de Almancil realçavam o seu valor biológico: “ (. . .) Também naquele braço de mar há muito peixe e de todo o marisco muito (…) Também há muita caça (. . .) No campo de todo o território desta Freguesia há as ervas medicinais seguintes: pé de gato , língua de vaca, funcho, malmequeres , aipo, salva, espargos, giesta, tomilho, alecrim, rosmaninho, jarro, macela, pé de leão, ortigas, erva bicha(…)”, entre muitas outras.

Património artístico

Igreja Matriz São Lourenço
O actual edifício começou a ser construido em 1722 no local de uma arruinada ermida seiscentista que invocava São Lourenço. “ O primoroso templo, não pela grandeza, mas pelo ornato, asseio e magnificência” ( Memórias Paroquiais de 1758) foi edificado como cumprimento da promessa feita pelos moradores do local que desesperados com a falta de água imploraram o patrocínio do Santo.

A construção e ornamentação da então designada Ermida de São Lourenço dos Matos ficou a cargo da respectiva confraria que tinha como Juiz o protector o Dr. Manuel de Sousa Teixeira, Vigário Geral do Bispado do Algarve.

O templo teve como modelo a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Faro. Os irmãos Manuel e Antão Borges foram os responsáveis pela campanha de obras e consecutivo programa de decoração do interior da ermida.

A partir de 1849 com a supressão da Freguesia de São João Batista da Venda e criação da Freguesia de Almancil, a Igreja de São Lourenço passou a ser sede de paróquia.

A Igreja de São Lourenço, classificada como Imóvel de Interesse Público pelo decreto-lei nº 35443 de 2 de Janeiro de 1946, representa uma valiosa expressão artística do barroco no Algarve. A sua exuberante  ornamentação surge como fruto de uma época que entendia a arte como veículo privilegiado para seduzir, educar e convencer os fieis a seguirem os dogmas religiosos do Catolicismo da Contra Reforma. A contrastar com a sobriedade arquitectónica do templo, todo o espaço interior está revestido de azulejos figurativos, que narram a biografia do mártir São Lourenço, e de talha dourada.

A azulejaria ( datada de 1730) foi concebida pelo pintor Policarpo de Oliveira Bernardes e sua oficina.

Constituem belíssimos exemplares da época barroca e tiveram como protótipo os azulejos da Igreja de São Lourenço de Carnide em Lisboa realizados pelo mesmo mestre de azulejos ( cerca de 1715-1720). A talha do templo( retábulo, cornija e aro da cúpula), executada cerca de 1735, terá sido obra  do melhor entalhador do barroco na região Algarvia, o escultor Farense Manuel Martins.

Saliente-se a majestosa combinação de talha e azulejos que se pode observar na decoração da cúpula da capela-mor, a única coberta de azulejos no Algarve.

Ermida de São João da Venda
As referências documentais mais antigas remontam aos princípios do século XVI ( Visitação da Ordem de Santiago ao Algarve, Suplemento da revista Al-ulyã nº5, pp.163 e 164). Nessa época era uma simples ermida dependente da igreja Matriz de Santa Maria de Faro.

Alguns anos depois, em consequência da sua elevação a sede de Freguesia, foi construído um novo templo ainda de acordo com o formulário do gótico final.

O templo fazia parte do termo de Faro e servia-se dos sacerdotes desta cidade. Só a partir do ano 1681, por decisão do Bispo D.José de Meneses passou a ter pároco residente.

A sua estrutura quinhentista, que se mantém, compõe-se de nave única, sem transepto, duas capelas colaterais e cobertura de madeira no corpo da igreja. Ao longo dos séculos XVII e XVIII sofreu diferentes remodelações.

Merece referência neste templo, um notável retábulo dos finais do século XVI, curioso exemplar da talha maneirista no Algarve.

Salientemos também a existência de um pequeno núcleo de imaginária religiosa dos séculos XVII e XVIII do qual destacamos São Luís, imagem de grande devoção popular em honra do qual se promove anualmente uma grandiosa festividade.

De referir ainda o conjunto de cinco telas pintadas outrora colocadas no retábulo.

Caixas das Almas

Assim se designa um pequeno oratório oitocentista, de grande devoção popular, situado em Almancil no gaveto das Ruas do Calvário e 5 de Outubro. Está adossado a um interessante conjunto de edifícios dos finais do século XIX, princípios XX.

No interior do oratório sobressai um painel de azulejos figurativos, datado de 1850, no qual se evoca a Salvação das Almas do Purgatório.

Ponte do ludo
Datada de 1810, foi mandada construir pelo Bispo do Algarve, D.Francisco Gomes do Avelar.

Faz parte de um conjunto de pontes mandado edificar por aquele prelado nesta diocese para facilitar as comunicações nos principais eixos viários.

É dedicada a São Gonçalo de Amarante e a pedra evocativa, que se encontra no pátio da Alcaidaria em Loulé, contém a seguinte inscrição: “ Glorioso S.Gonçalo de Amarante Defendei Sempre Esta Ponte Amen” acompanhada do escudo real.

Arquitectura Tradicional

Fruto do intenso crescimento urbanístico decorrente das actividades económicas e turísticas, a arquitectura tradicional da Freguesia tem sido alvo de preocupante descaracterização. As pequenas habitações térreas caiadas de branco com as características chaminés Algarvias e com graciosos trabalhos de massa nas platibandas têm estado progressivamente a ser substituídas por modernizados núcleos urbanísticos por vezes de volumetria excessiva, gosto duvidoso e segundo moldes desenraizados.

Restam-nos, contudo, alguns valiosos exemplares que representam as tradições arquitectonicas da região.

Actividades Culturais

As principais festividades na Freguesia são de carácter religioso e têm grande participação popular. São dedicadas a São Lourenço e a São Luís e realizam-se respectivamente na Igreja Matriz e na Ermida de São João da Venda. A festa de São Luis realiza-se habitualmente na primeira semana de Fevereiro e está associada ás actividades agrícolas e pecuárias, pedindo o crente a protecção do padroeiro São Luis para os seus animais. Depois da procissão segue-se um concorrido leilão de chouriças, tal como outros aperitivos gastronómicos e a finalizar o baile.

Mais antiga é a festa de São Lourenço. Em meados do século XVIII era descrita da seguinte maneira ”( . . .) passam muito de duas ou três mil pessoas que vão não só pela devoção de verem o São Lourenço, como pela grandeza da sua festividade e fogo que arde na noite do Santo e além disto, pelos muitos bailes e descantes da gente que ali acode” ( Memórias Paroquiais de 1758).

Hoje em dia realiza-se no domingo mais próximo do dia do Santo, 10 de Agosto. Á animação musical e quermesse dos dias precedentes, segue-se no dia principal a Eucaristia e a procissão em honra de São Lourenço.

Além destas festividades, a Freguesia continua a encontrar outras formas de expressar a sua identidade cultural, nomeadamente através da recepção da Festa da Pinha de Estoi, dos tradicionais mercados mensais , da Feira das Velharias, da Festa das Comunidades que decorre em Agosto.

Uma referência especial merece o Centro Zefa, localizado periferia de Almancil. Este notável centro de artes afirmou-se nos últimos anos como um dos principais espaços na região Algarvia dedicado à difusão das artes plásticas contemporâneas através de frequentes exposições dos mais conceituados artistas nacionais e estrangeiros, bem como de outros eventos artisticos.

newspaper templates - theme rewards