Origens

Na área que constitui a actual Freguesia de Almancil, os testemunhos mais antigos da presença humana remontam ao Paleolítico. A partir das investigações arqueológicas já concretizadas foram encontrados artefactos líticos ( raspadeiras, seixos) em São João da Venda, Gondra, Ludo e Vale da Venda.

Segundo a opinião de Isilda Martins a designação Casas e Nave, num local da Freguesia, sugere a anterior existência de uma construção funerária megalítica.

A investigação arqueológica tem vindo a revelar a ocupação romana em alguns locais da freguesia. Em São João da Venda existiria um lagar e uma cella vinaria com grande número de ânforas tal como vestígios de uma necrópole.

Segundo Abel Viana, também em são João da Venda se pode observar, sob o traçado de um velho caminho, a Via Romana litoral.

Classificado como Romano/Islâmico, convém salientar no lugar do Tejo do Praio ( na Quinta do Lago), um complexo industrial com cetárias ( tanques para a salga do peixe) provavelmente como apoio de uma pequena villa.

Do período Islâmico poderá ser uma necrópole onde foram identificadas cerca de 72 sepulturas no Tejo do Praio( Quinta do Lago)

Um Passeio Pela História . . .

Segundo referem as corografias históricas, as origens da vila de Almancil estão ligadas á presença muçulmana. Cerca de 1600, Henrique Fernandes Sarrão referia a este respeito na História do Reino do Algarve “ Loulé tem muitos sítios de nomes mouriscos, como é um, que está para sul, e se chama Almancil, que tomou o nome do Mouro que o habitava” ( p.161). Em 1905, Ataíde de Oliveira na Monografia do Concelho de Loulé afirma “ Dizem os antigos que efectivamente nos princípios da Monarquia Portuguesa ali existia apenas uma pequena casa de venda ou hospedaria, de origem árabe, e portanto chamada Almançal, que significa hospedaria” ( p.127). Salienta-se ainda a existência do local Cerro de Afar, topónimo derivado do árabe.

Certo parece ser que a sueste da contemporânea vila de Almancil existiria desde, pelo menos, o século XV uma pequena povoação piscatória, Farrobilhas, irremediavelmente destruída pelos piratas Ingleses comandados pelo Conde de Essex em 1596.

Em meados do século XVI, os visitadores da Ordem de São Tiago deslocavam-se à Ermida de Nossa Senhora de Farrobilhas, mas a Almancil não se referem, pois neste lugar ainda não existia nenhum templo.

Após a destruição de Farrobilhas, ter-se-á procedido no início da centúria de seiscentos, à edificação de um novo templo no lugar de São Lourenço dos Matos, Freguesia de São João da Venda, termos de Faro.

A partir do século XVIII, o pequeno lugar terá sofrido razoável crescimento com a reconstrução da Ermida de São Lourenço, notável centro de peregrinação no Algarve barroco.

O contínuo desenvolvimento da localidade e arrabaldes justificaria que em reforma administrativa de 1849 se criasse a Freguesia de São João Batista de Almancil cuja sede se transferiu de São João da Venda para São Lourenço. Em 1864-1865, Almancil teria cerca de 400 fogos e em 1904, o rol da população documenta cerca de 815 fogos com 3.503 almas.

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